Balanços – 3ª. parte “Palmeiras – despesas operacionais e resultados de 2018”.

Do balanço patrimonial do Palmeiras em 2018, neste post, iremos destacar as despesas operacionais e os resultados de 2018, comparando-as com os valores do ano anterior, além de comparando-as com as receitas operacionais:

 

Contrastando com o crescimento de 30% das receitas operacionais, as despesas creseram com 40%.

Futebol Profissional: Receitas de R$ 601,9 milhões – Despesas de R$ 516,9 = +R$ 85 milhões de superávit. Considerando o resultado financeiro negativo de R$ 21,3, o superávit foi de R$ 63,7 milhões.

Futebol Amador ou Futebol da Base: bastante significativa a redução dos custos de R$ 28,6 milhões para R$ 18,7 milhões. Uma observação, as receitas desta rubrica contábil praticamente não apresentam receita (ex.: a venda do Fernando para o Shakhtar foi contabilizada como receita de direitos econômicos do futabol profissional).

Clube Social e Esportes Amadores: a sangria aumenta a cada ano, se em 2017 o déficit foi de R$ 4,6 milhões, no ano passado, o prejuízo foi ainda maior, incríveis R$ 14,7 milhões de déficit em 2018. 

Caso o Palmeiras fosse um clube empresa, considerando as receitas menos as despesas do futebol profissional e do futebol amador (ou futebol da base), sem considerar os pagamentos de impostos (atualmente segundo legislação da Fazenda Nacional, os clubes brasileiros são enquadrados como associação sem fins lucrativos, isentos do pagamento do Imposto de Renda – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, desde que reinvestiam o dinheiro nas atividades desportivas e não distribuir lucros,  os resultados parciais de 2017 e 2018 seriam:

 

 

Despesas com o Futebol: Pessoal, Encargos Sociais e Amortização – Direitos de Imagens:

Somando-se todas as remunerações (futebol profissional, futebol amador, clube e outros esportes) foi mantido o percentual de 44% sobre as receitas operacionais totais.

No futebol profissional, mesmo com um elenco mais qualificado, os custos diretos aumentaram pouco mais de 2%.

 

Direitos econômicos e gastos com atletas

Nesta rubrica contábil são lançados os valores pagos com as contratações junto aos clubes nacionais e internacionais.

Seguindo as Normas Brasileiras de Contabilidade ITG 2003 para Entidade Desportiva Profissional, foram lançados os seguintes valores referentes as aquisições de atletas que atuavam no exterior:

Jogador

Clube de Origem

Descrição

Valor em R$

Carlos Eduardo

Pyramids

Compra de Direitos Econômicos

25,186 milhões

Bruno Henrique

Palermo

Compra de Direitos Econômicos

8,234 milhões

Felipe Pires

Hoffenhein

Empréstimo Direitos Federativos

1,776 milhões

Deyverson

Levante

Compra de Direitos Econômicos

1,168 milhões

Rony

Tallinna

Empréstimo Direitos Federativos

266 mil

 

Algumas considerações:

  1. Sem as aquisições de Carlos Eduardo (compra) e Felipe Pires (empréstimo) que totalizaram R$ 26.962 milhões, o resultado financeiro do exercício de 2018 seria muito melhor.
  2. As aquisições do Bruno Henrique e Deyverson estão sendo pagas em parcelas.
  3. Um dado no mínimo curioso do balanço patrimonial, ainda são lançados valores de empréstimo de direitos federativos do meia Ronny, que jogou no Palmeiras em 2013. A dívida é com a entidade MTU FC e os valores variam a cada ano, de 258 mil em 2013 para 266 mil em 2018. 

Despesas Gerais e Administrativas

Aumentaram muito as despesas gerais e administrativas do futebol profissional de 2017 para 2018, quase 3 vezes mais, de R$ 33,267 para R$ 98,413 milhões. Segundo as notas explicativas do balanço, mantendo a política de negociação junto a credores, reduzindo os passivos, provavelmente os valores das quitações devem ter sidos lançados nesta rubrica.

Em contrapartida, no futebol amador ou futebol da base, uma significativa queda de R$ 7,583 para 1,287 milhões.

 

Avanti

Importantíssima fonte de receitas, o programa sócio torcedor Avanti arrecadou de 2014 a 2018, o expressivo valor bruto de R$ 173,841 milhões.

 

Considerando apenas os dois últimos anos, conforme os lançamentos de receitas e despesas no balanço, receitas de R$ 94,884 milhões contra R$ 55,608 milhões de despesas com lucratividade média de 58,6%.

 

Ano

Receita

em R$ milhões

Despesa

em R$ milhões

Resultado

em R$ milhões

2014

11.935

não consta do balanço

2015

32.441

não consta do balanço

2016

34.581

não consta do balanço

2017

47.014

24.973

22.041

2018

47.870

30.635

17.235

Total

173.841

55.608

   39.276 *

* resultado apenas dos dois últimos anos. 

 

Clube Social e Outros Esportes

  

A sina continua, o clube social e os outros esportes seguem proporcionando grande prejuízos, são mais de R$ 20 milhões em dois anos.

Salta aos olhos os valores das Despesas Gerias e Administrativas: R$ 29,2 milhões em 2017 e R$ 28,7 milhões em 2018, mais de R$ 58 milhões em dois anos.

Clube Social e

Outros Esportes

Receitas em R$ milhões

Despesas em R$ milhões

Resultado em R$ milhões

2012

33.472

38.147

-4.675

2013

40.090

41.480

-1.390

2014

41.433

40.836

597

2015

55.941

47.203

8.738

2016

58.014

56.036

1.978

2017

53.074

60.347

-7.273

2018

51.398

65.134

-13.736

Total

333.422

-349.183

-15.761

 

O Goleiro Verde está certo, aterrem as piscinas. 

Resultado

Mesmo com queda de 46% em relação ao resultado de 2017, o Palmeiras obteve um superávit de R$ 30 milhões, que representa 4,69% das receitas operacionais.

Nos últimos 5 anos, o superávit acumulado é de R$ 154 milhões e considerando o resultado dos últimos 10 anos, o déficit é R$ 14 milhões.

Com os resultados em campo mais os números dos balanços, podemos afirmar que o Palmeiras é o clube brasileiro melhor administrado e em breve será também entre os clubes sul-americanos

Além da inveja, o verde é também a cor do futuro no futebol do continente.

No próximo post iremos apresentar as receitas do Palmeiras e dos clubes brasileiros com publicidade e patrocínios em 2018.