As inúmeras culpas de um presidente que se acha inocente

Bom dia, amigos de Mondo Verde, o sucessor de Mondo Palmeiras. Ia eu escrever minha despretensiosa coluna A Vida dos Outros quando deparei com uma entrevista (outra, pelo amor de Deus!) do senhor Arnaldo Tirone, atual presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, cargo que ocupa desde janeiro de 2011. A matéria está na edição deste sábado (17) da Folha de S.Paulo, mais especificamente na capa do caderno Esporte.

Além das declarações inócuas e sem conteúdo de sempre, o dirigente alviverde nos mostrou mais uma vez o seu despreparo para ocupar um posto tão importante e repleto de exigiências como a presidência de um dos mais importantes clubes de futebol do mundo. Logo de cara, por desandar a dar entrevistas para Deus e o mundo em um momento no qual deveria, isso sim, estar se dedicando em tempo integral ao clube. Ouvi alguém gritando a frase “cala a boca, Magda!” aí ao fundo?

Mas o que me levou a escrever esse texto está relacionado à resposta que o cidadão deu à pergunta “qual a sua parcela de culpa no processo que deixou o time (Palmeiras) à beira do rebaixamento (no Brasileirão)”. Eis a “resposta”:

“Tenho responsabilidade. Culpa? Não me sinto culpado. Você pode se sentir culpado quando erra em uma coisa grave. O que seria grave? Se eu não tivesse pago os salários. Os jogadores têm vida particular, que depende de seus salários. E isso poderia influenciar no campo. A gente reforçou o elenco. O que o presidente tem de fazer? Frequentar, dar apoio e administrar o clube com honestidade e competência, pagar as contas e dar atenção ao clube. Foi isso que fiz”.

De quebra, o popular Pituquinha mandou esse complemento, ao ser questionado sobre o que ele (presidente) poderia ter feito de diferente no futebol para evitar essa situação. Leiam:

“É difícil falar. O que eu poderia ter feito? Chutar a bola no gol. Eu mantive a comissão técnica, os jogadores que eram importantes, fiz as contratações, paguei salários. Acho que faltou sorte”.

É nas horas de dificuldade que você conhece os bons comandantes. E nenhum dirigente digno do cargo que ocupa foge das suas responsabilidades quando o fracasso surge. Mesmo com sua enxurrada de erros, o Sr. Tironi cresceria no meu conceito se ao menos admitisse seus erros de forma clara e transparente. Como seria de se esperar, não é o que ele faz no momento.

Preocupado apenas em se perpetuar no poder, provavelmente sonhando com uma reeleição que seria desastrosa para o futuro do Alviverde Imponente, Tirone é o típico caso de pessoa errada no cargo errado. Não entende de futebol, nem de administração. Não sabe representar a grandeza do clube que dirige, nem o defende com a habiidade e inteligência necessárias.

Nos dois anos em que comandou o Palmeiras, Tirone nos proporcionou uma tonelada de contratações infelizes, com a exceção de Barcos e Henrique, deu poderes excessivos a um treinador em má fase, não soube em momento algum planejar o futebol do clube e, pecado dos pecados, não soube capitalizar um título que literalmente caiu no seu colo e do qual, no momento, poucos se lembram. Além disso, cercou-se de pessoas tão ou mais incompetentes do que ele, piorando ainda mais o que já seria ruim em sua origem.

Lógico que ele não merece ser ameaçado de morte por delinquentes que só atrapalham a vida da Sociedade Esportiva Palmeiras. Nem ele, nem seus parentes. Que a paz prevaleça na vida deles. Mas o palmeirense só correrá o risco de ser feliz quando dirigentes do porte do senhor Tirone estiverem longe, e muito longe, de nossos horizontes. Simples assim.

*obs.: não comemorem. A Vida dos Outros volta normalmente na próxima semana.Quando desistirmos de tirar sarro de nossos adversários, estaremos jogando a toalha em relação à grandeza do nosso Alviverde Imponente.