Adeus, Barcos, valeu por ficar, Barcos, que bagunça, Barcos!

Ah, as novelas envolvendo a chegada e a saída de jogadores de futebol no Brasil… Elas se arrastam, são sempre repleta de reviravoltas frequentemente artificiais, geram insegurança e tumulto e acabam frequentemente sendo úteis apenas aos atletas, seus “agentes Fifa” ou coisa que o valha e a quem estiver envolvido na partilha dos tais “direitos federativos”. E, para nossa infelicidade, Hernan Barcos é o protagonista da nova soap opera tuniniquim, que se arrasta desde que o rebaixamento surgiu no horizonte do Palmeiras.

Já comentei esse tema aqui na semana passada, mas novas declarações do atacante argentino estão pipocando na mídia nesta quarta-feira (28). Uma delas, proferida logo após o treino realizado nesta terça-feira (27) eu reproduzo abaixo:

“Espero que a torcida entenda o que quero dizer. Amo o Palmeiras, mas penso na seleção (argentina). Ainda não decidi (sobre permanecer)”.

Ele insiste naquela teoria de que jogar a série B do Brasileirão poderia afastá-lo da seleção argentina, argumento tosco certamente oriundo da cabeça de um empresário como justificativa para tirá-lo do Verdão.

Outra declaração do goleador alviverde na temporada, com 28 gols, é direcionada ao presidente Arnaldo Tirone.

“O presidente falou que eu não saio e usou a cláusula de rescisão como argumento. Mas ele não pode falar isso porque tem que respeitar o que eu quero, e ele não sabe. Não é certo dizer que eu não saio por nada do Palmeiras”, protestou o boleiro amigo de Lionel Messi.

De quebra, Barcos afirmou que um dos fatores que poderão levá-lo a ficar ou a se mandar está ligado à contratação de reforços de peso para a temporada 2013 pelo Alviverde Imponente. Ele diz que o Palmeiras não pode correr o risco de passar vergonha na Libertadores, competição que, a seu ver, deve ser disputada para ser conquistada. Dou razão a ele, mas isso pode ser outra desculpa para justificar uma possível saída.

Como várias dessas declarações de Barcos estão se repetindo de forma irritante, assim como as de Pituquinha e sua turma referentes ao tema, fica claro que o mais óbvio ainda não ocorreu: uma reunião séria entre as duas partes para resolver esse lero-lero, essa conversa mole, esse papo de aranha, de uma vez por todas.

Barcos, repito pela milésima vez, é atleta profissional e pode ir jogar onde quiser, desde que o Palmeiras seja devidamente ressarcido. Por sua vez, o clube tem todo o direito de exigir que o ex-atacante da LDU cumpra o contrato que ele assinou, com duração prevista até 2015. Simples assim. Se surgir uma proposta que se mostrar conveniente para os envolvidos, é só chamar o Celso Russomano e, se estiver bom para ambas as partes…

O ridículo é Barcos e a direção alviverde ficarem se comunicando via imprensa, que obviamente adora a situação e se aproveita dela para aumentar sua audiência. No atual pandemônio vivido pelo torcedor alviverde, tudo o que não poderia ocorrer neste momento seria isso. Manter seus principais atletas é o primeiro passo rumo a um 2013 decente.

Mas esperar o quê de dirigentes despreparados como os que atualmente comandam a Sociedade Esportiva Palmeiras? Nada melhor do que essa novela interminável, na qual os grandes favorecidos são aqueles que poderão faturar bons milhões com um raro goleador no atual futebol mundial repleto de cabeças de bagre.

Que essa situação, repito, possa ser resolvida de uma vez por todas. Se for para ficar, que fique. Se for para ir embora, que vá e seja feliz, sem ser taxado de mercenário. Nem precisa jurar amor ao clube, pois isso cabe a nós, torcedores, não a eles, jogadores. Basta serem profissionais dignos e já está ótimo.

Mas que um ponto final possa ser colocado nesse imbróglio, pois temos coisas muito mais importantes a resolver do que a simples permanência ou não de um atleta. Afinal, fomos rebaixados para a Série B com Barcos e tudo. Não existem salvadores da pátria. Existem, isso sim, projetos bons e projetos ruins. Caminhemos rumo a um projeto bom e da nossa envergadura, então, e logo!