Ademir da Guia, o jogador, é eterno. O político…

No último sábado (dia 14 de março), um episódio gerou grande mal estar entre os palmeirenses. Em visita ao Centro Formador de Atletas Laudo Natel, situado em Cotia e de propriedade do São Paulo Futebol Clube, Ademir da Guia, maior ídolo da história alviverde, vestiu uma camisa daquela equipe, com o número 10 e o nome de Hernanes. O fato ocorreu antes de partida de confraternização entre os presentes, boa parte deles políticos como Marco Aurélio Cunha, que também é dirigente daquela equipe. Ao ser questionado sobre o fato, o Divino afirma que isso não deveria ter causado tanta polêmica. Será?

Vamos a uma visão o mais abrangente possível disso tudo. De 1961 a 1977, Ademir da Guia não só honrou a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras, como se tornou o maior jogador de nossa história, o Pelé do Palmeiras, como eu o defino. Mauro Beting vai ainda além, dizendo, com bom humor, que Pelé é que é o Ademir da Guia do Santos. Seja como for, sua história como atleta do Verdão é impecável, com direito a inúmeros títulos, partidas inesquecíveis e veneração até por parte de torcedores alheios. Nada, eu disse NADA, irá mudar isso. Ele será nosso eterno camisa 10, e uma das grandes glórias do futebol brasileiro em todos os tempos. Ponto final!

Por outro lado, um amigo meu uma vez definiu Jimi Hendrix como músico profissional e ser humano amador, por ter morrido aos 27 anos devido a sua irresponsabilidade. Em termos de política, Ademir da Guia é um ingênuo que não consegue distinguir pessoas bem intencionadas dos maldosos de plantão. Vide seu mandato como vereador, que foi cumprido (de 2005 a 2008) de forma discreta e sem grandes realizações. Ele acabou sendo massa de manobra para que Marco Aurélio Cunha, pessoa de índole duvidosa, criasse mais um “factóide” favorável ao time que defende. 

Não confundam o Ademir da Guia jogador de futebol com o político, pelo amor de Deus. São duas trajetórias totalmente diferentes, embora embutidas no mesmo ser humano. Respeitem esse verdadeiro ícone alviverde, mesmo que não concordem com essa sua “vacilada”.

E faço um desafio ao senhor Marco Aurélio Cunha: se esse “factóide” não foi planejado de forma maquiavélica, que tal vestir a camisa do Verdão para demonstrar sua boa vontade em relação ao nosso clube, retribuindo a gentileza do crédulo Ademir da Guia? Encara essa?