A vitória e as peças que a vida nos prega

Nunca irei me esquecer. Era uma sexta feira de dezembro de 1998. Último dia útil antes do natal. Hora das festas de confraternização de empresas. Eu estava quase saindo, rumo à da editora onde prestava serviços, quando recebi o telefonema de minha cunhada. Meu irmão havia sido internado no Hospital do Servidor, em São Paulo. Nem é preciso dizer que meus planos mudaram imediatamente, e fui para lá. No caminho, passei em frente a inúmeros bares, com gente festejando, e fiquei feliz por eles. Mas sabia que, naquele momento, eu só poderia estar em um único lugar do mundo: do lado do Victor, meu querido brother, que infelizmente me deixou dias depois, mais especificamente em um triste seis de janeiro de 1999.

Domingo, 20 de abril de 2008. Após uma partida aguerrida, na qual nossos jogadores se doaram como há muito uma equipe alviverde não fazia, conquistamos a vaga na final do Campeonato Paulista contra nosso mais temido oponente. Vitória maiúscula, incontestável, para calar a boca de todos aqueles que insistem em diminuir nosso Alviverde Imponente. Nem a chuva que castigou a todos que estivemos no Estádio Palestra Itália conseguiu estragar a festa. Pelo contrário, tornou palpável a alma lavada de todos. A festa se espalhou pela cidade, pelo estado, pelo país, pelo mundo.

Infelizmente, quis a vida pregar uma peça em um dos mais entusiásticos e emblemáticos torcedores da Sociedade Esportiva Palmeiras. Enquanto vibrávamos, comemorávamos, extravasávamos nossas emoções, Raul Antonio Bianchi recebia a notícia: seu irmão faleceu, vítima de um ataque cardíaco. Uma dor que só que já a sentiu tem idéia de sua dimensão.

E aí, tome consolar a mãe, os entes queridos, ajudar a resolver essas burocracias do tipo onde enterrar, local do velório etc. Em meio a tanta alegria que a torcida do Palmeiras vive, tenho certeza de que todos os admiradores do Goleiro Verde, entre eles quem escreve este humilde texto, desejam a ele força para superar essa dor, e também para seguir em frente. Pois onde quer que esteja agora, seu irmão certamente está orgulhoso de você, meu caro Raul.