A Vida dos outros

Por Fabian Chacur

Considerações e ironias referentes aos outros clubes que, para infelicidade deles, nunca conseguirão sequer chegar perto da Sociedade Esportiva Palmeiras.

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Fundo do poço e fim de feira enfim chegam para a Selenike-1
Quando eu era moleque, nos já distantes anos 70, lembro-me muito bem das sempre aguardadas excursões da seleção brasileira de futebol. E não era para menos.

O esquadrão nacional viajava para encarar o que havia de melhor no mundo da bola. As partidas normalmente eram contra a então Alemanha Ocidental, Itália, Suécia, Inglaterra… Como diriam por aí, só cachorro grande.

Os embates, sempre com casa cheia, equivaliam a desafios que todo mundo queria conferir, pois a probabilidade de grandes atuações era praticamente de 100%. Bons tempos.

De uns muitos anos para cá, a partir de um determinado momento nos anos 90, isso começou a virar pó. Se o dinheiro sempre foi importante, passou a se tornar a principal motivação dessas antigas excursões, hoje substituídas pelas tais “datas Fifa” ou coisa que o valha.

E o ponto mais baixo dessa história ocorreu nessa inesquecível quinta-feira, 10 de novembro de 2011. Um dia histórico, mas no pior sentido possível. Brasil, sil, sil, x Gabão.

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Fundo do poço e fim de feira enfim chegam para a Selenike-2
Para começo de conversa, encarar partida contra uma seleção como a do Gabão é no mínimo tirar um sarro da cara do torcedor brasileiro. Em termos de preparação, seria preferível encarar o Duque de Caxias ou o Palmeiras-B, por exemplo.

Mas levar mesmo uma das piores seleções brasileiras de todos os tempos, nas quais o mediano Hernanes equivalia ao Pelé no auge, tal a indigência de seus “colegas” (Bruno César? William? Elias? Dá licença!), para jogar naquele pântano, digo, gramado, é de doer.

De quebra, acabou a luz por alguns minutos, os jogadores foram obrigados a pagar mico perante o todo poderoso mandatário do país africano e durante a partida, o pau comeu lá na casa de sinhá, com os jogadores do Gabão baixando o cacete sem dó nem piedade.

Ao fim da “partida”, vencida pelo Brasil com dois gols grotescos, dignos de peladas estilo casados x solteiros, fica a certeza de que o fim da picada, o fundo do poço e o fim de feira chegaram. A partir daí, não dá para baixar mais. Parabéns, Ricardus Teixeirus I e único, você conseguiu desbotar de vez a tal de amarelinha.

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Leão Tarja Preta continua rugindo e dando entrevistas geniais-1
Não dá para negar, queridos leitores de A Vida dos Outros: Leão Tarja Preta estava fazendo falta para todos nós, amantes de boas gargalhadas e declarações imprevisíveis e amalucadas.

Nesta semana, como forma de tentar fazer as meninas de J. J. Whisky absorverem a derrota contra o Bahia pelo placar de 4 a 3, em virada histórica, o treineiro resolveu punir mesmo os “atretas”.

Sem dó nem piedade, Tarja Black obrigou seus comandados a assistir o VT na íntegra, apontando cada erro e cada vacilada, na esperança de que eles (elas!) não as repitam mais.

Após essa sessão de tortura, pôs a boleirada para treinar a mil por hora, além de desfilar seu repertório de broncas já por demais conhecido de todos por aí. Meu Deus!

Até imagino o pensamento dos jogadores: “ainda bem que esse maluco vai embora no fim do ano”…

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Leão Tarja Preta continua rugindo e dando entrevistas geniais-2
Na edição desta sexta-feira (11) do caderno Esporte, da Folha de S.Paulo, Leão continuou nos oferecendo mais pérolas preciosas de sua filosofia, que pode ser apelidada de leãozismo, ou tarja-pretismo, se você preferir.

Ao ser perguntado sobre se o fanatismo religioso de alguns atletas lhe traziam problemas, Black Tarja nos ofereceu mais uma daquelas tiradas sensacionais de que só ele é capaz:

“Já dirigi time que, de 20 atletas, 16 eram de uma comunidade. Você falava aqui e o pastor mudava tudo lá. Atleta religioso perde um pênalti, perde outro e diz: ‘Deus quis assim’. Tudo mundo pede tudo para ele. ‘Mas, no futuro, ele vai me reservar coisa melhor’, dizem. Cansei disso!”

Em outra questão sobre os comerciais que fez de cueca e de uma distribuidora de frangos, ele deu show:

“Não vejo problema nenhum. Você precisa saber o que vai fazer e a conduta que vai ter. Quando eu era goleiro, fiz uma propaganda do frango. Imagina a responsabilidade que isso me trouxe. Tive de me dedicar mais. Podiam até falar que era “filho da puta”, mas não relapso”.

Tomara que algum clube o contrate em 2012, porque futebol sem Leão Tarja Preta é futebol sem bom humor…

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Peixe Frito pode ficar com Neymar e sem estádio para jogar
Durante a semana, o grande assunto foi o novo contrato firmado entre o jogador Neymar e o Santos Futebol Clube, que teoricamente garantirá a permanência do jogador no Brasil até a Copa de 2014.

Enquanto o cartola LAOR se vangloriava de pagar uma fortuna ao atleta e correr o risco de ficar sem nem uma moedinha quando o atacante se mandar do clube, uma notícia correu a mídia sem grande destaque, mas certamente notada por quem acompanha o futebol.

O estádio da Vila Belmiro estava sendo oferecido em um site de leilões como forma de quitar uma dívida que a agremiação litorânea teria com seu ex-presidente.

Ou seja: se marcar bobeira, o Peixe Frito corre o risco de ter o jogador mais caro da história do futebol brasileiro e ser obrigado a alugar estádios alheios para poder exibi-lo. Abre o olho, velho freguês do Verdão! Aliás, já que pelo visto anda sobrando dinheiro por lá, que tal melhorar o medonho gramado da Vila? Heim?

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Semana que vem tem mais, se Deus quiser! Agradeço aos patéticos adversários, sempre me fornecendo boa munição, e aos freqüentadores de Mondo Palmeiras! E nunca se esqueçam: o bom-humor ajuda a evitar ataques cardíacos, derrames, tentativas de suicídio etc