A vida dos outros

Por Fabian Chacur

Considerações e ironias referentes aos outros clubes que, para infelicidade deles, nunca conseguirão sequer chegar perto da Sociedade Esportiva Palmeiras.

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Vida de ex-ídolo é difícil, é difícil como o quê, Falcão – 1
Uma coisa fica mais clara para mim a cada dia que passa. Se há algo que pode ser considerado uma grande roubada é um ex-ídolo de um grande clube se meter a virar técnico do mesmo.

O exemplo do que ocorreu com Emerson Leão, melhor goleiro da história do clube na minha humilde opinião e bem insatisfatório como nosso treinador em duas ocasiões, é  um belo exemplo interno. E nos outros clubes, nada é muito diferente disso.

Os mais recentes exemplos são Paulo Roberto Falcão e Renato Gaúcho, que há pouco foram devidamente “saídos” de, respectivamente, Internacional e Grêmio, ambos de Porto Alegre.

Renato deu ao tricolor gaúcho “apenas” seus dois títulos mais importantes, a primeira Libertadores e o até agora único Mundial Interclubes deles, ambos em 1983. Saiu com lágrimas nos olhos, substituído por um desconhecido que era auxiliar de Falcão no Inter. De dar dó.

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Vida de ex-ídolo é difícil, é difícil como o quê, Falcão – 2
Pior fez o Inter, que até há  pouco era considerado um exemplo de organização, e que pelo visto caiu na vala comum do “não deu certo, pontapé nos fundilhos do infeliz que estiver no banco de reservas”.

Após demitir o sempre contestado Celso Roth, que deu a eles sua segunda Libertadores, os cartolas colorados resolveram ressuscitar a carreira de treinador de Paulo Roberto Falcão, maior ídolo da história do clube e há muitos anos comentarista meia boca da Globo.

Nem 100 dias se passaram e a experiência já se encerrou, mesmo com o profissional que como treinador não passa de um ótimo ex-jogador tendo ganho um Gauchão “na bamba”, como diria meu saudoso pai (que por sinal faria 102 anos nesse 24 de julho, domingão, o popular “amanhã”).

Falcão também teve de pagar o mico de dar coletiva de despedida quase chorando, com cara de bolacha Maria, e disparando farpas para tudo quando é lado, menos para a torcida.

Se bem que, na minha opinião, o maior mico de todos foi protagonizado por Zico, de longe o maior ídolo da torcida do Flamengo, que acabou saindo da agremiação praticamente humilhado por Patrícia “Tamborim”. Vida de ex-ídolo é difícil, é difícil como o quê!

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E já  que o assunto é treinador, abre o olho, Caio Júnior!
Enquanto isso, Caio Júnior, apelidado de estagiário em seus tempos de Palmeiras e grande ídolo do nosso Goleiro Verde, começa a cavar sua sepultura no comando do Botafogo.

Após vitória contra o Coritiba por 3 a 1, deu a seguinte declaração:

“O que não pode acontecer é com cinco minutos de jogo haver vaias para o Alessandro (lateral do clube). Quem não quiser incentivar, é melhor que não venha ao estádio”.

Nem é preciso dizer que a torcida botafoguense rapidamente se manifestou nas redes sociais, e o nome do “treineiro” passou a ser muito contestado por lá.

Durante a partida contra o Ultimão, no glorioso Engenhão (herança maldita do Pan do Rio de 2007), a derrota por 2 a 0 levou os torcedores alvinegros a pedir o retorno de Cuca, atualmente desempregado e com passagem por lá entre 2006 e 2008.

Ao ser questionado sobre isso, Júnior ficou puto da vida e disse que aquilo não era profissional. Olha, eu já vi esse tipo de coisa acontecer antes, e o final, nem preciso dizer qual costuma ser…

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Organização e visão de futuro é isso, Tricolixo, o resto é  resto
Após dar um solene bico nos fundilhos de Paulo César Parmegianni, o time do Jardim Leonor não demorou a encontrar um substituto para ele. E a surpresa ficou por conta do nome do escolhido: Adilson Batista.

A surpresa fica por conta da declaração dos dirigentes tricolores, que admitiram ter apostado em Adilson pelo fato de ele ter o mesmo perfil de Parmegianni, e por terem obtido boas referências dele por parte de curíntia e Peixe Frito.

Vale lembrar que as recentíssimas passagens de Batista pelos dois clubes foram tenebrosas e não duraram muito. Qual adversário não recomendaria com entusiasmo um profissional meia boca para seu maior rival?

Mas o mais engraçado fica por conta de terem procurado um treinador com o mesmo perfil do ex-volante de Inter e Flamengo. Se a intenção era ter alguém igual ao anterior, porque demitir o Seo Carpa?

Pelo visto, o Tricolixo acha lindo ter um treineiro com o estilo Professor Pardal por lá para bagunçar as coisas. Eu acho é ótimo! Ainda mais se levarmos em conta o currículo de Batista…

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Ultimão ganhará  estádio de graça e pagará quando puder
Cada dia que passa fica mais claro para mim a razão pela qual Raul Bianchi é fã incondicional e amigão de André Sanche, o adorável comedor de esses. O cidadão é um negociante de primeira linha.

Ele vai conseguir o estádio pelo qual o Time da Marginal Sem Numero luta há um século sem precisar tirar um único centavo do seu bolso. Na mão grande, mesmo.

Com absurdo orçamento de R$ 820 milhões, sabe-se que o valor de R$ 420 milhões sairá de incentivos fiscais proporcionados pelo glorioso Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, com mais algum também saindo do bolso do Geraldo Alckmin e do governo do Estado.

Mas não diziam por aí que não entraria dinheiro público na realização de obras para a Copa do Mundo de 2014? E esse dinheiro é de onde? Da casa da sogra? Como gostam de nos fazer de otários, heim? E contra isso, não rola passeata na Paulista, nem em parte alguma.

Mas a coisa piora ainda mais ao sabermos que os R$ 400 milhões restantes virão de empréstimo do também governamental BNDES, com prazo e juros altamente apetitosos e obtidos via Construtora Odebrecht, que por sua vez fará isso através de um banco repassador. E deu nó na minha cabeça!

E sabe o que mais? O curíntia só  começará a pagar a empreiteira dois anos depois da formalização do acordo, pois Sanche e sua turma pretendem pagar a conta com a receita que o estádio começar a gerar.

Quer saber? Acho que vou me juntar ao Goleiro Verde para planejarmos a Arena Guarapiranga, ou então a Arena Vila Gomes. Para abrigar os jogos do Paraguai, Croácia ou tanto faz. Quem não quer uma “boquinha” como essa obtida por Sanche? E viva o Brasil e seus políticos, sempre de olho no que há de melhor para o seu povo…

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Semana que vem tem mais, se Deus quiser! Agradeço aos patéticos adversários, sempre me fornecendo boa munição, e aos freqüentadores de Mondo Palmeiras!

E nunca se esqueçam: o bom-humor ajuda a evitar ataques cardíacos, derrames, tentativas de suicídio, etc…