A Torcida que Canta e Vibra não pode calar…

Por Fellipe Málaga

Uma pergunta rápida, polêmica, curta e enfática: Você ama de verdade o Palmeiras? Se sua resposta é um “não” recheado de raiva, então é melhor buscar outras ocupações, até outro esporte talvez, porque como dizem por aí “ser palmeirense é uma missão para profissionais”. Uma verdade absoluta. Incontestável.

Se ao ler a pergunta seu pensamento vagou por entre idéias vãs, correu por algumas estradas incertas, turvas, cinzas, culminando eu um “não sei” sem querer, sussurrado, quase imperceptível, é melhor pensar em uma decisão, pois o Palmeiras tem vivido de muitas dúvidas e pouquíssimas certezas. Isso precisa mudar, a começar por você que ainda não sabe o que sente.

Agora, caro amigo, se a sua resposta é um SIM maiúsculo, sem receio, sem pudor, súbito, convicto, então precisamos e muito de você. Que o clube passa por um período negro da sua bela História não é segredo pra ninguém, ao ponto de, em uma teatral humanização da situação, o Palmeiras encarnar o papel de um guerreiro, gigante, que se encontra numa UTI, em coma profundo, vítima de seu próprio cérebro que implora para morrer, mas onde ainda bate um coração, triste, decepcionado, que pulsa na força do seu sangue, o torcedor.

A situação é complicada, desesperadora, vexatória até, porém são nessas horas que se conhecem os verdadeiros amigos, torcedores, pois depois que falecer não adianta chorar, espernear, as lágrimas serão em vão, como talvez essas minhas palavras para alguns.

O pessimismo paira no ar, tingindo de negro o nosso futuro, o negro da incerteza, mas não podemos (nem devemos) esmorecer ou nos entregar. O que seria do Alviverde Imponente se os valentes italianos de outrora tivessem desistido de lutar? O amor por essa instituição é muito maior que a decepção de vê-la gerida por pessoas tão incompetentes e fracassadas, nosso amor é maior que eles, nós podemos mais, juntos, unidos, nós podemos muito mais!

O Palmeiras não é do Mustafá, Piraci, Del Nero, Tirone, Frizzo ou do Gilto Avallone. O Palmeiras é nosso, é meu, do Flávio, do Fabian, do Raul, dos legítimos bravos torcedores como os milhares que aqui frequentam, do Dr. Miguel Nicolelis, Conrado Cacace, Vicente Criscio, Marcos Kleine, Seu Ademir da Guia, São Marcos, enfim, a Sociedade Esportiva Palmeiras é de quem a ama, de quem tem o verde e o branco pulsando nas veias, enraizado no coração.

O Palmeiras precisa de cada um de nós, mesmo com Rivaldo como lateral, Tinga de volante ou Ricardo Bueno como homem-gol. Não somos modinhas, somos originais, genuinamente palestrinos. Não adianta pensar que acabou, que tudo está perdido, que não há salvação, porque há, sempre há uma saída. Só não tem jeito para a morte e mesmo assim podemos tentar adiá-la.

O clube possui milhões e milhões de problemas, defeitos, tão na cara que até Steve Wonder enxergaria facilmente. Então por que não virar os holofotes para outro lado buscando encontrar as soluções? É isso que cabe a nós, palmeirenses, discutir saídas para o clube, idealizar projetos e ações inteligentes que possam resultar em algo mais concreto, mais real. Virar as costas e fingir que não é com a gente só piora. E muito.

Você que respondeu àquela pergunta com um sonoro SIM não abandone o barco, não roa a corda porque a nossa hora chegará, não há mal que perdure para sempre, o reinado de Mustafá e seus asseclas acabará, só não precisamos esperar tudo isso acontecer sentados no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, como diria um certo palmeirense Raul…

Feliz Natal a todos!!