A síndrome do time cesta básica

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Tudo começou em 2001, quando no início do ano tivemos a notícia de que a Parmalat levantou acampamento e foi embora.
Mustafá Contursi, sem alguém para cuidar do futebol, resolveu fazer as coisas à sua maneira, como tratava por exemplo das piscinas ou do salão de jogos do clube: gastando pouco para manter a ilusão de que “cofre cheio significa prosperidade”.

Começou a síndrome do time cesta básica. A era do “bom e barato” foi crescendo, se agigantando. Enquanto isso, o Palmeiras ia se apequenando nos campeonatos. Parece familiar, não é mesmo? Técnicos medianos e jogadores medíocres começaram a tomar conta do Palmeiras desde então. Misso, Rovílson, Donizete Pantera, Ricardo Boiadeiro, Lúcio, Adauto, Paulo Turra, Juninho, Adriano, Pena, Basílio… jogadores que poderiam cair bem em Noroeste, Marília, Cabofriense ou Ituano. Mas jamais no Palmeiras. E a filosofia continuou no banco de reservas. Marco Aurélio, Celso Roth, Márcio Araújo…

O leitor deste texto deve estar pensando: mas será que nenhum desses jogadores mereceu vestir a camisa do Palmeiras? Nenhum dos técnicos foi bom o suficiente? Pois é, infelizmente não. É só comparar o que esses caras fizeram com a história do clube.

Chegamos ao ano de 2007 e após tantos equívocos e desenganos, contratamos um novo técnico: Caio Júnior. Classificou o Paraná Clube para a Libertadores (proeza, convenhamos). Mas será mesmo que valeu a pena apostar?

Diante das circunstâncias, creio que sim. Só que, infelizmente, Caio Júnior tem um problema grave: é inexperiente. Ainda tem aquele ranço de ser “mediano”, “cesta básica”, aquela filosofia de quem treina o Paraná Clube.

Treinar ou jogar no Palmeiras tem um peso diferente. E um peso tão esmagador que fica difícil definir quem está preparado para suportar. Nos últimos seis anos, ninguém suportou. O time é trocado toda temporada. A diretoria sofre alterações, a torcida continua apoiando, cobrando, a estrutura do clube é mudada… mas nada parece tirar a pecha de “elenco médio” do clube.

Neste ano, está acontecendo a mesma coisa. O Palmeiras não consegue resultados por ter jogadores que não estão acostumados a vencer, a serem protagonistas de histórias vitoriosas. Sabem falar muito bem em entrevistas que são jogadores capazes de dar passes precisos, fazer gols, de assumirem a faixa de capitão etc.

Ou seja, advogam em causa própria com maestria. Até o Leandro, um lateral-esquerdo que fica lá, fazendo o seu joguinho cesta básica… é um Lúcio redivivo… aliás, aonde está o Lúcio? Aliás, aonde estão todos os jogadores que mencionei na listinha dos medíocres? Em algum time por aí… talvez.

É preciso repensar a filosofia de contratações. Precisamos ter um grupo coeso, forte, entrosado. Estão tentando formar um agora, mas com Leandro, Marcelo Costa, Amaral e outros, que sentem o peso da camisa, se intimidam com o Palestra Itália lotado e só sabem encher o saco em entrevistas, não iremos muito longe (de novo).

Se o Palmeiras não quiser virar uma Portuguesa, precisa ter um “choque futebolístico” agora. Contratar jogadores que agreguem valor, que façam a diferença. Que tenham títulos no currículo, experiência e frieza na hora de decidir.

Se o Mustafá já foi exorcizado, porque não despachar também o “bom e barato” e o time “cesta básica”?

*Jonas Gonçalves, 24 anos, é jornalista.