A era Alexandre Mattos: Mittos ou Miccos? – Parte I

Bom dia, boa tarde e boa noite amigos do Mondo.

Após ser novamente derrotado pelo Flamengo, desta vez em casa, sofrendo três gols, pressionado por todos os lados, especialmente pela torcida organizada, o presidente Maurício Galiotte demitiu o diretor executivo Alexandre Mattos.

Para que possamos fazer uma análise do desempenho de Mattos na direção de futebol do Palmeiras, se faz necessário voltar no tempo. 

Como e por que foi contratado?

Em uma quarta-feira à noite, dia 19 de novembro de 2014, com ares de festas e desconfiança, com Paulo Nobre na cadeira de presidente, com o time na beira do precipício de mais uma queda para a série B, o Allianz Parque era inaugurado.

Após a derrota por 2 x 0, frustrando mais de 35 mil torcedores, os violentos protestos acenderam na direção o sinal vermelho. Além de evitar a queda, era necessário mudar tudo.

Um dia após, a combinação de resultados que salvou o Palmeiras de mais um descenso, no dia 08 de dezembro de 2014, Nobre demitiu o então diretor executivo José Carlos Brunoro e começava a revolução na administração do futebol do clube.

Antes do Palmeiras, onde Alexandre Mattos trabalhou?

Fazendo um pouco de tudo, como ele mesmo admitiu em várias entrevistas, sua carreira se iniciou no América Mineiro em 2005, onde se sagrou campeão brasileiro da série C em 2009.

Em 2012, como diretor executivo de futebol do Cruzeiro, Mattos foi o principal responsável pela transformação da raposa. Com muita ousadia, clube mineiro adquiriu alguns medalhões como: Dedé (R$ 14 milhões), Willian (R$ 10,5 milhões), Manoel (R$ 7,5 milhões) e Dagoberto (R$ 7 milhões) e jogadores até então com pouca projeção nacional como Ricardo Goulart e Everton Ribeiro.

Após três anos e 40 jogadores contratados, ele pediu demissão com três títulos no currículo: campeão mineiro de 2014 e bicampeão brasileiro em 2013 e 2014.

 

2015: o chapéu e a baciada

 

Quando chegou ao Palmeiras no iniciou de 2015, Mattos encontrou uma terra arrasada.

No ano anterior, o time e futebol apresentado foi um dos piores da nossa vitoriosa e gloriosa trajetória em mais de um século, então era necessário mudar e foi feito.

Domingo de manhã, dia 15 de janeiro de 2015, quando os palmeirenses e imprensa esportiva acessaram as redes sociais, o susto foi grande. Oficialmente o clube anunciava o jogador mais cobiçado da época, Dudu.

Após grande temporada jogando pelo Grêmio em 2014, com direitos econômicos vinculados ao Dínamo de Kiev, Dudu era especulado no São Paulo e Corinthians (onde estava por uma assinatura para fechar contrato), foi quando Mattos entrou na parada.

Na sexta-feira, os ucranianos aceitaram a proposta do Palmeiras de adquirir 100% dos direitos econômicos em duas parcelas de R$ 9,5 milhões.

No sábado, começou o “sequestro” para convencer o jogador. Isolado em um escritório, quase sem acesso ao celular, lanchando e descansando lá mesmo, após 12 horas de negociação, Palmeiras e Dudu se acertaram.

Mattos mostrava ao mundo do futebol brasileiro, o Palmeiras estava de volta ao mercado buscando ser protagonista.

Se Dudu foi um grande acerto, passaram a acontecer os grandes erros. O primeiro e um dos maiores foi a contratação do zagueiro Leandro Almeida, indicado pelo treinador Marcelo Oliveira. Após falhar grotescamente contra o São Bento, ele foi afastado e até o término do longo contrato de quatro anos, nunca mais jogou no Verdão.

 

O primeiro título e a garotada

Do time que no dia 03 de dezembro de 2015, na final da Copa do Brasil, venceu o Santos nos pênaltis, quatro jogadores eram oriundos da base: os laterais João Pedro e Lucas Taylor, o volante Matheus Sales (que colocou Lucas Lima no bolso) e o fora de série Gabriel Jesus. Parecia que a “base vem forte” seria aproveitada, mas ficou no parecia.

Vinte e cinco jogadores e um investimento de R$ 27,1 milhões depois, o ano de 2015 encerrava-se com comemoradíssimo título de campeão da Copa do Brasil. O mineiro era muito bom de negócios, uai….

Em contrapartida, ele já demonstrava duas falhas: a troca incessante de treinadores, foram três profissionais que comandaram o time em 2015: Oswaldo de Oliveira, o interino Alberto Valentim (valeu Valentim) e Marcelo Oliveira, e o não aproveitamento dos garotos da base.

 

Cícero Souza e a modernização do departamento de futebol.

Indicado por Mattos, Cícero chegou em dezembro de 2014 e assumiu o cargo de Gerente de Futebol.

Além da gestão de pessoas, os dois implementaram importantes avanços nos métodos de trabalho da Academia: GPS, câmeras termográficas, máquinas de recuperação de atletas, drone para filmar os treinos e outras.

Em 2017, a dupla comandou a eficiente troca da equipe médica do clube.

O popstar Alexandre “Mittos”

 

Com mais de vinte contratações (entre elas de Zé Roberto e Arouca) que realizou em menos de um mês, ícone da nova fase do clube, Mattos recebeu o apelido de “Mittos” com direito a ser o “ator” principal do divertido comercial do Avanti, “…, mas não para de aumentar …” dizia ele. Estava criado o mito, ou melhor, o “Mittos”.

 

Jogadores contratados em 2015

 

Jogador e Posição

Empréstimo ou Definitivo (Valor da aquisição)

Amaral (volante)

definitivo – fim de contrato

Vitor Hugo (zagueiro)

empréstimo

Lucas (lateral-direito)

definitivo – fim de contrato

Andrei Girotto (volante)

empréstimo

Zé Roberto (lateral-esquerdo)

definitivo – fim de contrato

Leandro Pereira (atacante)

definitivo – € 1,5 milhão

Gabriel (volante)

empréstimo

João Paulo (lateral-esquerdo)

empréstimo

Rafael Marques (atacante)

empréstimo

Robinho (volante)

definitivo – R$ 2,5 milhões

Dudu (atacante)

definitivo – € 3 milhões

Victor Ramos (zagueiro)

 empréstimo

Kelvin (atacante)

empréstimo

Jackson (zagueiro)

 empréstimo

Alan Patrick (meia)

empréstimo

Ryder Matos (meia)

empréstimo

Arouca (volante)

definitivo – fim de contrato

Aranha (goleiro)

definitivo – fim de contrato

Cleiton Xavier (meia)

definitivo – fim de contrato

Egídio (lateral-esquerdo)

definitivo – fim de contrato

Fellype Gabriel (meia)

definitivo – fim de contrato

Alecsandro (atacante)

definitivo – fim de contrato

Leandro Almeida (zagueiro)

definitivo – fim de contrato

Lucas Barrios (atacante)

definitivo – € 2,9 milhões

Thiago Santos (volante)

definitivo – R$ 1 milhão

 

2016: Yerry Mina: o case de sucesso e um tabu de 20 anos é quebrado

 Ainda no primeiro semestre de 2016, o Palmeiras passou por duas situações vexatórias.

A precoce eliminação na fase de grupos da Copa Libertadores, que culminou na demissão do treinador Marcelo Oliveira ainda no primeiro turno dessa competição, e a goleada para o inexpressivo Água Santa por 4 a 1 no Campeonato Paulista, sob o comando de Cuca.

Com quinze novos jogadores e R$ 49,4 milhões de investimentos, e usando várias estratégias de contratações, diminuiu os jogadores emprestados e foram adquiridos jogadores novos e com potencial de revenda.

De Erik vindo do Goiás por R$ 13 milhões que gerou muitas críticas pelo valor pago e futebol apresentado, a Tchê Tchê que veio sem custos e vendido ao Dínamo de Kiev, em 2018, por €$ 4,8 milhões ou R$ 20,5 milhões na época.

Também chegaram atletas experientes como Moisés que defendia o clube croata Rijeka, comprado no valor de €$ 1 milhão e repassado aos chineses do Shandong Luneng, em 2019, por €$ 5 milhões, quase R$ 21 milhões

Disputado por vários clubes europeus, presença certa nas divisões de base da seleção colombiana, o Palmeiras pagou €$ 3,6 milhões ou R$12 milhões para tirar o zagueiro Yerry Mina do Independiente de Santa Fé. Como o Barcelona disputava o atleta, Mattos costurou um excelente acordo e em janeiro de 2018, o clube catalão exerceu o direito de compra, pagando €$ 12,3 milhões ou R$ 47 milhões.

Com R$ 49,4 milhões de investimentos, com uma consistente campanha, o final do ano foi coroado com a quebra de um tabu, 22 anos depois, o Palmeiras se sagra campeão brasileiro ou eneacampeão, se tornando o maior campeão do país.

 

Jogadores contratados em 2016

 

Jogador e Posição

Empréstimo ou Definitivo (Valor da aquisição)

Vitor Hugo (zagueiro)

definitivo – € 1,5 milhão

Vagner (goleiro)

definitivo – valor não revelado

Roger Carvalho (zagueiro)

empréstimo

Régis (meia)

empréstimo

Edu Dracena (zagueiro)

definitivo – fim de contrato

Erik (atacante)

definitivo – R$ 13 milhões

Rodrigo (volante)

empréstimo

Moisés (meia)

definitivo – € 1 milhão

Rafael Marques (atacante)

definitivo – fim de contrato

Jean (volante)

volante – US$ 2 milhões

Roger Guedes (atacante)

definitivo – R$ 2,5 milhões

Fabrício (lateral-esquerdo)

empréstimo

Fabiano (lateral-direito)

empréstimo

Tchê Tchê (volante)

definitivo – fim de contrato

Yerry Mina (zagueiro)

definitivo € 3,2 milhões

Leandro Pereira (atacante)

empréstimo

 

2017: um ano difícil e conturbado

 

O ano que marcou a troca de presidência com a saída de Paulo Nobre e Maurício Galiotte assumindo o cargo, começou e terminou conturbado dentro e fora do campo.

Acusando seu sucessor de traição, ao apoiar uma carta emitida pelo nefasto Mustafá Contursi afirmando que Leila Pereira era sócia do clube desde 1996, fato que validou a candidatura e a eleição da presidente da Crefisa ao Conselho Deliberativo do clube, Nobre rompeu com Galiotte.

Diferente de Nobre, que passava o dia todo na Academia de Futebol, Galiotte praticamente delegou o futebol para Mattos e o executivo ficou ainda mais forte quando Leila em uma entrevista afirmou: “Se Mattos sair do Palmeiras, vou rever o investimento em contratações”.

Foi a luz verde para ele imprimir ainda mais seu estilo de administrar.

 

Cuca saiu e agora?

Ainda durante as comemorações do título, Cuca avisou que por motivos pessoais não iria continuar. Então, sem muitas opções no mercado, Mattos decidiu apostar na juventude de Eduardo Batista, o filho do Nelsinho (aquele que barrou o Evair).

Com altíssima rejeição da torcida, mesmo com 73% de aproveitamento nos pontos disputados, em maio de 2017, alegando que o time não evoluía, Galiotte e Mattos demitiram Eduardo e recontrataram Cuca.

Mattos queimava mais um treinador.

  • CONTINUA AMANHÃ.