Baú do Palestra – Uma tarde inesquecível na Vila Belmiro

Em uma bela tarde de domingo, em março de 1996, a famosa Vila Belmiro foi palco de um jogo inesquecível (principalmente para os palmeirenses) entre Santos e Palmeiras.

Embalado pela ótima campanha que fazia no Campeonato Paulista de 1996 – e que terminou como a melhor de todas da história do profissionalismo – o Palmeiras visitou o tradicional rival e aplicou uma goleada por 6 a 0. Um das maiores já registradas no clássico.

O Campeonato Paulista daquele ano foi disputado em dois turnos, com o regulamento que se um clube vencesse o primeiro turno, e outro clube vencesse o segundo turno, eles se juntariam aos dois melhores por índice técnico para disputar as semifinais e posteriormente a grande final.

Mas, caso o mesmo clube vencesse os dois turnos, ele seria campeão direto, sem a necessidade das finais.
Com 16 equipes na disputa, o Palmeiras disputou 30 jogos e alcançou 27 vitórias, dois empates e apenas uma derrota (para o Guarani, em Campinas).

A equipe palmeirense – comandada pelo Wanderley Luxemburgo dos bons tempos – marcou 102 gols, sofreu apenas 19, e atingiu a impressionante marca de 92% de aproveitamento. Feito este jamais conquistado por qualquer outra equipe na história do Campeonato Paulista.

O time base daquele Palmeiras era: Velloso; Cafu, Cléber, Sandro e Júnior; Flávio Conceição, Amaral, Djalminha e Rivaldo; Muller e Luizão. Os reservas mais utilizados durante o campeonato foram Galeano, Elivélton, o italiano Marco Ósio e o zagueiro Cláudio.

O clássico que é o destaque deste texto foi disputado na penúltima rodada do primeiro turno, e, como já foi dito acima, no estádio da Vila Belmiro.

O Palmeiras entrou em campo com: Velloso; Cafu (Ósio), Cléber, Sandro (Cláudio) e Júnior (Elivélton); Galeano, Flávio Conceição, Djalminha e Rivaldo; Muller e Luizão – técnico: Wanderley Luxemburgo.

Já o Santos atuou com: Gilberto; Claudemir, Batista (Gustavo), Sandro e Marcos Paulo; Gallo, Kiko (Luiz Carlos), Baiano e Marcelo Passos (Macedo); Giovanni e Jamelli – técnico: Orlando “Lele” Amarelo.

Bola rolando, e logo aos cinco minutos o Verdão mostrava sua superioridade.

Com um toque de bola rápido e envolvente, Júnior descobriu Muller pelo lado esquerdo do ataque. O camisa 7 dominou a bola e cruzou para Rivaldo, no meio da área, cabecear para o fundo das redes do Santos e abrir o marcador na Vila.

Já aos 17 minutos, Djalminha bateu falta da intermediária e o zagueirão Cléber apareceu entre os zagueiros santistas para cabecear para o fundo do gol.

Sete minutos depois, novamente o zagueirão Cléber, dessa vez aproveitando um cruzamento do lateral Júnior, surgiu no meio da área santista para cabecear sem chances para o goleiro Gilberto e marcar o terceiro gol do Palmeiras.

No último minuto do primeiro tempo quase uma pintura; Cafu fugiu em velocidade pela direita e cruzou para Luizão, no meio da área, acertar um voleio. O goleiro Gilberto fez milagre e defendeu a bola do camisa 9 palmeirense. No rebote, a zaga santista conseguiu afastar o perigo.

No segundo tempo, mesmo com 3 a 0 no marcador, o Palmeiras não diminuiu o ritmo – como era característico daquela equipe comandada por Luxemburgo – e continuou a pressionar o adversário.

Aos 14 minutos, Djalminha invadiu a área pelo lado direito e cruzou para trás. Cafu que vinha na velocidade bateu firme e marcou o quarto gol do Verdão.

Altamente técnico e em tarde inspirada, Djalminha recebeu a bola na intermediária e avançou para o ataque driblando a defesa santista. Quando o camisa 10 entrou na área foi derrubado pelo zagueiro Luis Carlos.

O próprio Djalminha cobrou – com a categoria de sempre – e marcou o quinto gol da tarde.

Para fechar a goleada, aos 37 minutos, Luizão alcança uma bola praticamente perdida na linha de fundo, pelo lado direito. Ele avança, dribla um santista e cruza para Rivaldo cabecear e marcar o sexto gol do Palmeiras.

Essa vitória histórica do Verdão, em plena Vila Belmiro, valeu também para garantir o Palmeiras como o campeão do primeiro turno do Campeonato Paulista de 1996.

Não podemos deixar de lembrar que o título daquele campeonato veio exatamente contra o Santos, na penúltima partida do segundo turno, em uma vitória por 2 a 0, dentro do antigo Parque Antarctica, com gols de Luizão e Cléber.

A maior lição que se pode tirar dessa partida é a qualidade do elenco e do futebol apresentado pelo Palmeiras. Quem viu aquele time jogar, viu o que é o DNA que o Palmeiras trás desde os tempos de Palestra Itália. Um time que joga um futebol acadêmico, com toque de bola rápido e envolvente, e uma defesa forte que quase não tomava gols.

Que este Palmeiras de 1996 sirva de exemplo para o atual e os futuros times que o Palmeiras terá.

Ficha técnica

24/03/1996 – Santos 0 X 6 Palmeiras

Santos: Gilberto; Claudemir, Batista (Gustavo), Sandro e Marcos Paulo; Gallo, Kiko (Luiz Carlos), Baiano e Marcelo Passos (Macedo); Giovanni e Jamelli – técnico: Orlando “Lele” Amarelo.