23 de janeiro de 2022
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Vinte anos se passaram, mas a emoção ainda é a mesma…

Quem, como eu, viveu aqueles anos 80 sabe que não era nada fácil. A fila de 16 anos sem títulos parecia que jamais teria fim.

Mesmo com alguns bons times, boas campanhas, tudo dava errado no final. E na primeira partida final daquele Paulistão-93, o tal gol “porco” do Viola parecia que ia estragar tudo mais uma vez.

Mas foi justamente aquele fato lamentável, aquela comemoração ridícula, que deu ainda mais força para: Sérgio; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair Aparecido Paulino.

Já háviamos chegado perto no ano anterior, quando chegamos à final e ficamos com o vice-campeonato. Mas, no dia 12 de junho de 1993, tudo seria diferente. E inesquecível.

Era o dia do meu aniversário e, eu que jamais havia comemorado um título, lá no fundo sabia que aquele seria um dia especial.

Jamais imaginaria que, aos 38 minutos do primeiro tempo, aquele chute cruzado do querido Zinho seria a “abertura da porteira”. O início de uma das goleadas mais emblemáticas de toda a história do Dérbi.

Aquela angústia, aquela ansiedade para soltar o grito de CAMPEÃO ainda estava presa na garganta. Só mesmo na segunda etapa, aos pés de Evair Aparecido Paulino, é que a certeza do título ficou mais clara.

Após receber um passe açucarado de Edilson, o “matador que deu vida” fez o segundo gol palmeirense que, por conta de (mais) um regulamento absurdo, nos levaria para uma interminável prorrogação.

Eu assistia ao jogo com um grande amigo corintiano que, apesar da superioridade palestrina e dos 3 a 0 no placar, continuava a falar aquelas bobagens populistas do tipo “mística da camisa é maior”, “Deus é corintiano”, “o time do povo tudo supera”, etc.

Ah, sim…por ironia do destino hoje ele é um político de sucesso na minha cidade. Coisas da vida.

Apesar da tensão no ar que só os grandes clássicos proporcionam, tinha a certeza que era o dia de se livrar daquela fila, de todas aquelas gozações, de finalmente gritar “É CAMPEÃO” justamente em cima do nosso principal rival.

Quando o querido Edmundo foi escandalosamente puxado dentro da área e o juiz confirmou o pênalti, o meu coração gelou. Será que vai dar errado de novo? E como é que eu iria comemorar o título? Não tinha a menor idéia.

Tudo sob controle. Quem bateria o pênalti era Evair Aparecido Paulino, o maior jogador que eu já havia visto em campo. Um atleta que, como poucos em nossa história, personificava o espírito e alma do palmeirense dentro e fora das quatro linhas.

Com a calma e a confiança de alguém que sabia que não estava ali por acaso, de quem sabia que estava garantindo um lugar na história vitoriosa do Palmeiras, Evair deu exatos nove passos e bateu no canto esquerdo do goleiro. 4×0 e o fim de um jejum que me consumia por dentro.

Na comemoração, ele correu para comemorar com aquela torcida apaixonada e escreveu de vez o seu nome na seleta galeria de ídolos palmeirerenses.

Só tenho a agradecer a todos aqueles que estavam no estádio naquele dia, ao Evair que nos proporcionou essa alegria imensa ao marcar aquele gol e a Deus por me fazer palmeirense e poder dividir um pouco dessa alegria com vocês aqui hoje. Vinte anos depois.

#Feliz12dejunhode1993

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Se é que alguém ainda não sabe, o Evair participará de uma sessão de autógrafos do livro “Sociedade Esportiva Palmeiras 1993 – Fim do jejum, início da lenda” na Academia Store,  da Rua Augusta, em São Paulo.

Confira abaixo uma entrevista que fiz com o jornalista palestrino Mauro Beting que, ao lado do grande Fernando Galuppo, editou o livro que conta a história desta conquista a partir da visão de Evair Aparecido Paulino.

Nos próximos dias, vou divulgar também um trecho da entrevista que fiz com o matador e uma promoção onde vamos sortear exemplares autografados do livro.

Abraço a todos! E parabéns a todos nós, palestrinos!

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