5 de fevereiro de 2023
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Prosa Verde: Até para cornetar é preciso ter sabedoria

Bom dia, boa tarde e boa noite, queridos amigos palestrinos desse Brasilzão de meu Deus, estamos de volta com a Prosa Verde agora aqui, no Clube Mondo Verde. A propósito, estão vendo como isto aqui está ficando mais organizado e atrativo? Fabian, Flávio e Raul não são fracos mesmo, mas isso é uma tendência, algo quase inevitável, por isso o Blog está tomando novos rumos. De carona nisso, o nosso Alviverde Imponente precisa também se reorganizar, voltar aos trilhos, ser o temido Palmeiras, que ninguém quer enfrentar. A paciência é uma virtude e temos de aprender a valorizá-la, já que nada mudará da noite para o dia.

“Preciso de três meses”, diz Brunoro

Aproveitando o gancho de organização, José Carlos Brunoro, diretor-executivo do Verdão, pediu mais algum tempo para completar a faxina na Academia. O tão esperado diagnóstico das mazelas no clube ainda não foi totalmente concluído, mas o homem-forte falou em três meses. Ora, meu caro Brunoro, para quem aguentou gestões absurdas, onde o que menos importava era o bem-estar do clube, anos e anos de sofrimentos e decepções, o que são três meses perto disso tudo?

Só que problemas no Palmeiras parecem brotar de todos os lados e Brunoro já adiantou que as receitas de 2013 estão praticamente todas comprometidas, obviamente que ainda é uma consequência da devastadora administração de Tití – o menino do cabelo cuia (homenagem a Fábio Villa). O dinheiro em caixa é ínfimo perante o que precisamos e, agora mais ainda, é necessário que a torcida se una em volta do clube, para entender que temos diretores e presidente, não milagreiros. Brunoro e Nobre têm a minha confiança, não por serem Brunoro e Nobre, mas por se tratar de gente que esteja tentando fazer o bem, reorganizar, oxigenar o Palmeiras. Meu apoio é total e irrestrito.

Afinal, Kleina tem ou não de continuar?

Após a derrota para o Libertad, constatei que um nome anda muito em baixa na torcida do Verdão: Gilson Kleina. As alegações são inúmeras: não escala direito; enche o time de volantes; não dá chances aos garotos Diego Souza, Dybal, Denoni, Luiz Gustavo, Chico, Edilson; não tem pulso firme; não joga junto com o time; não tem experiência para mudar o jogo no vestiário e nem para controlar atletas mais rodados; não tem perfil de treinador do Palmeiras, entre tantas outras coisas.

Acho que o treinador precisa ter a confiança de todos que estão a sua volta, a torcida precisa compreender que nós não estamos com toda essa condição de trazer um técnico top, pois os gastos são muito além do que podemos pagar hoje. Gosto do Kleina, é um sujeito tranquilo, responsável e comprometido. Talvez, para o centenário, na volta à Série A, com Arena e condições de montarmos um time para brigar por coisas maiores, um comandante mais tarimbado seja o ideal. Agora, se for para mudar, que o façam assim que Paulistão e Libertadores chegarem ao fim, antes da Série B começar, caso contrário seria um problema maior que a solução.

 

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Uma dúvida que veste 25

Ainda na linha dos tidos como “incapacitados de representar o Palmeiras” surge também o nome de Fernando Prass. O goleiro, que veio do Vasco no início do ano, ainda é bastante questionado por boa parte da torcida, que não enxerga em Prass alguém capaz de manter o nível de qualidade nas balizas, já que no Palmeiras goleiro sempre foi uma posição praticamente incontestável. Após a aposentadoria do Santo, Deola e Bruno foram os arqueiros, mas nenhum deles convenceu. Raphael Alemão teve chance, mas mostrou-se ainda “verde” demais para ocupar a titularidade. Buscou-se um goleiro.

Eu, sinceramente, não vejo problema nenhum com o Fernando Prass. É um cara sério, experiente e que tem muita qualidade. Não tem feito milagres ou partidas memoráveis, só que também não tem falhado ou comprometido, pelo contrário, em dados momentos suas defesas foram essenciais para que não saíssemos de campo com o revés no placar. Gosto do Prass, com uma zaga segura à sua frente ele tende a ser ainda mais importante, como foi no Vasco. Acredito e dou meu apoio ao camisa 25!

Cornetagem: um mal nada necessário

“Não gosto disso, então vou meter o pau.” “Fulano é perna-de-pau, pelo menos eu acho, então vou tratar de denegri-lo e desvalorizá-lo, nem que o time sofra com isso.” Minha gente, até onde vai o “espírito corneta” do palestrino? Criticar, discordar e se opor é algo totalmente aceitável e natural, pontos de vista são confrontados a todo instante no Universo. Normal. Mas o palmeirense tem se tornado PhD em cornetagem, se ganha é porque o adversário era ruim e devia ter goleado, se empata é porque somos medíocres, se perde então nada presta, manda embora presidente, diretor, treinador, elenco, mãe, pai e o escambau. É assim que sairemos dessa situação?

É possível sim discordar de alguém ou de algo e não ser derrotista. Criticidade é diferente de cornetagem. Sei que há tempos temos convivido com problemas, vexames, gestões ridículas, conflitos intermináveis e etc, porém é mais do que necessário ter paciência, saber esperar e não sair por aí disparando sua metralhadora cheia de mágoas. O momento é de reconstrução, de ressurgimento. Tem gente (a minoria, óbvio) que parece ter o mesmo pensamento de alguns conselheiros, de torcer para que o fulano erre os passes, que beltrano perca os gols, que cicrano prenda a bola e desperdice os contra-ataques só para poder dizer: “Eu avisei que era ruim”, “tá vendo, eu disse que ia acontecer”, “eu tinha razão, eu falei”.

Pôxa, é tão difícil assim apoiar incondicionalmente o Palmeiras? Sei que há momentos que não há como segurar a corneta, mas daí cornetar sempre? Por que não existe isso em demasia em outros clubes, só conosco? As dificuldades estão aí, diante de todo mundo, para quem quiser ver, não há dinheiro em caixa, o time é esse aí, não tem estrelas, jogadores badalados, estamos na Série B, e daí? Isso faz de alguém menos palmeirense? O Alviverde precisa de todos nós, todos sabemos que existem jogadores sem a mínima condição de vestir nosso manto, mas é o que temos, quando a situação melhorar o elenco mudará sem dúvidas. Vamos ter mais calma, o mundo não acabou, voltaremos a ser o Palmeiras de antes, mas isso depende muito também de nós, nenhuma revolução começa e termina da noite para o dia. Pensem nisso!

Grande abraço, nobres palestrinos, de corpo, alma e sangue verde. Nossa luta está apenas começando…