Baú do Palestra – 1996: Cem gols – Sem palavras

periquitoSim, amigos, copiei o título da coluna desta semana de uma matéria vinculada pelo jornalista Clóvis Rossi que em 1996 atuava como repórter da “Revista da Folha” e escreveu sobre a sensacional campanha que o Palmeiras realizava no primeiro semestre daquele ano.

Mas cópia da minha coluna para no título da capa da revista. Afinal, já se passaram 20 anos (eu tinha 18 anos em 1996, estou ficando velho) da conquista histórica do Campeonato Paulista daquele ano.

A montagem do time de 1996 começou ainda em 1995, em novembro, quando as diretorias do Palmeiras e da Parmalat contrataram Wanderley Luxemburgo, que havia saído do clube em janeiro, para novamente comandar o clube alviverde.

Logo após a apresentação de Luxemburgo, foi contratada a dupla Djalminha e Luizão que realizava grande campanha no Guarani e eram desejados por vários clubes, incluindo time da Europa.

O Palmeiras ainda teria as saídas do meia Edílson e do zagueiro Antônio Carlos, remanescentes do biênio 1993/1994, que foram extremamente gloriosos para o clube.

Para estas duas posições chegaram o zagueiro Sandro Blum, que vinha do futebol gaúcho, e o meia Elivélton, revelado no São Paulo, que disputara a temporada de 1995 pelo Corinthians.

Faltava ainda resolver a lateral esquerda, que, desde a saída de Roberto Carlos para a Inter de Milão, no meio de 1995, os jogadores que por lá passaram não haviam resolvido o problema da posição.

A solução foi encontrada no Vitória da Bahia – por indicação de Luxemburgo -, e o Verdão trouxe o lateral Júnior, jogador que, assim como Roberto Carlos, fez história no futebol brasileiro.

Com os últimos ajustes realizados na durante a fase de pré-temporada, o palmeirense pode ter uma prévia do que seria aquela equipe durante a disputa e conquista da Copa Euro-América, quando o Verdão aplicou uma goleada por 6 a 0 em cima do Borussia Dortmund, da Alemanha.

Depois empatamos com o Flamengo por 1 a 1 e conquistamos o segundo título da Euro-América (o primeiro veio em 1991).

Mas o grande momento estava mesmo guardado para o Campeonato Paulista.

Com exibições magistrais, o Verdão realizou a melhor campanha da história do profissionalismo no Campeonato Paulista. Nem o Santos de Pelé e nem o próprio Palmeiras da Academia realizaram campanha tão boa em suas épocas.

Ao total foram 30 jogos, com 27 vitórias, 2 empates e 1 derrota.

Veja a campanha:

 1º Turno

Palmeiras 6 x 1 Ferroviária

Novorizontino 1 x 7 Palmeiras

Palmeiras 3 x 0 Mogi Mirim

União São João 0 x 0 Palmeiras

Palmeiras 4 x 1 Juventus

São Paulo 0 x 2 Palmeiras

Palmeiras 3 x 1 Portuguesa

Corinthians 1 x 3 Palmeiras

Palmeiras 3 x 1 Guarani

Araçatuba 1 x 2 Palmeiras

Palmeiras 4 x 1 Rio Branco

Botafogo 0 x 8 Palmeiras

Palmeiras 6 x 0 América

Santos 0 x 6 Palmeiras

Palmeiras 4 x 0 XV de Jaú

 

2º Turno

Ferroviária 1 x 5 Palmeiras

Palmeiras 4 x o Novorizontino

Mogi Mirim 1 x 2 Palmeiras

Palmeiras 5 x 0 União São João

Juventus 1 x 5 Palmeiras

Palmeiras 3 x 2 São Paulo

Portuguesa 1 x 2 Palmeiras

Palmeiras 2 x 2 Corinthians

Guarani 1 x 0 Palmeiras

Palmeiras 3 x 1 Araçatuba

Rio Branco 1 x 2 Palmeiras

Palmeiras 4 x 0 Botafogo (primeiro jogo de Marcos como titular)

América 0 x 1 Palmeiras

Palmeiras 2 x 0 Santos

XV de Jaú 0 x 1 Palmeiras

 

O ataque do Palmeiras era o ponto forte da equipe. Muller, Rivaldo, Luizão e Djalminha  formavam um quadrado mágico que encantou o futebol brasileiro no primeiro semestre do ano.

Além do quadrado mágico, o clube tinha os dois volantes, Amaral e Flavio Conceição, que viviam grande fase e foram convocados para a seleção olímpica do técnico Zagallo. Isso sem falar nos laterais Júnior e Cafú (ex-São Paulo), que eram os melhores do país.

A única derrota na competição foi contra o Guarani, lá em Campinas, por 1 a 0, no segundo turno do campeonato.

Contra os tradicionais rivais foram cinco vitórias e um empate: SEP 2 X 0 SPFC e SEP 3 x 2 SPFC; SEP 3 X  1 SCCP e SEP 2 X 2 SCCP; SEP 6 X 0 SFC e SEP 2 X 0 SFC.

O jogo do título foi contra o Santos, no antigo Parque Antárctica, onde a vitória por 2 a 0, gols de Luizão e Cléber, garantiu o vigésimo segundo primeiro paulista.

O time base era:

Velloso; Cafú, Cléber, Sandro  e Júnior; Flávio Conceição (Galeano), Amaral, Djalminha e Rivaldo; Muller e Luizão – técnico: Wanderley Luzemburgo

Passados 20 anos daquele time, alguns palmeirenses possuem a dúvida se aquele ou time de 93/94 foi o melhor conjunto montado nos anos Parmalat.

Eu, particularmente, acredito que o time de 93/94 ainda era um pouco superior, mas, sem dúvida, algumas exibições daquele time de 96 foram inesquecíveis.

Fica a torcida para que o Palmeiras, que costuma se dar bem em anos terminados em “6”, possa não repetir aquele campanha, o que é muito difícil, mas pelo que fique com a taça do Paulistão de 2016, o que será muito bom para o clube e para a torcida.